Durante
visita técnica, equipe do Sebrae acompanhou a estruturação do
empreendimento, que une permacultura, alimentos artesanais e
vivências ligadas à memória afetiva.
Geleia
de amora preparada no fogão a lenha, frutas colhidas no quintal e
uma área cercada por árvores, onde o ritmo da cidade parece ficar
do lado de fora. Foi nesse cenário, no bairro Gapara, em São Luís,
que a equipe do Sebrae realizou uma visita técnica ao Sítio Casa de
Elena, empreendimento que integra o trabalho de estruturação do
circuito agroturismo.
Elena Viegas, proprietária do Sítio Casa de Elena, apresenta produtos artesanais do empreendimento, que integra o Circuito de Agroturismo de São Luís. (Sebrae/ Divulgação)
Propriedade
de Elena Viegas, o sítio reúne produção de pães, doces, geleias
e conservas, experiências gastronômicas e práticas relacionadas à
permacultura, conjunto de princípios e práticas que busca criar
sistemas de produção e de vida mais sustentáveis, inspirados no
funcionamento da própria natureza. A proposta é fazer do próprio
modo de vida no local uma experiência para o visitante.
Durante
a visita, a equipe acompanhou de perto essa dinâmica. Entre árvores
frutíferas e o preparo artesanal dos alimentos, Elena fez geleia de
amora no fogão a lenha, uma demonstração prática do tipo de
vivência que pretende oferecer aos turistas.
“A
principal finalidade do Sítio Casa de Elena é resgatar as memórias
afetivas, trazer as pessoas para viver uma experiência diferente,
viver o comer de verdade. A gente busca fazer com que elas tenham
momentos que realmente sejam reais, momentos que, futuramente, também
vão ser memórias afetivas”, afirma Elena.
Durante a visita técnica, Elena Viegas apresenta à equipe do Sebrae os espaços e as experiências oferecidas no Sítio Casa de Elena, no bairro Gapara. (Sebrae/ Divulgação)
Do
quintal para uma experiência turística
O
sítio está entre os empreendimentos acompanhados pelo projeto de
agroturismo do Sebrae. O trabalho integra uma estratégia de
identificação e fortalecimento de propriedades da agricultura
familiar com potencial para receber visitantes e transformar
produção, conhecimentos e modos de vida em atrativos turísticos.
O
processo começou com o mapeamento de empreendimentos e a
identificação daqueles que apresentavam potencial para o
agroturismo. A iniciativa, inicialmente concentrada em Raposa, passou
a incorporar propriedades de Paço do Lumiar, São José de Ribamar
e, mais recentemente, São Luís.
A
partir da adesão dos empreendedores, o trabalho avançou para a
formatação e estruturação do roteiro turístico, além da
preparação dos negócios para a chegada dos visitantes. Também
foram realizadas ações de apresentação do produto ao mercado,
envolvendo agentes de viagens, agentes de turismo e guias,
responsáveis por aproximar essas experiências do público
consumidor.
Agora,
uma das prioridades é ampliar a visibilidade do circuito no mercado
regional, ao mesmo tempo em que os empreendimentos aperfeiçoam
estruturas de acolhimento, espaços para vivências e a apresentação
de seus processos produtivos.
Para
Flor Castro, gestora de Turismo do Sebrae em São Luís, o
diferencial desse tipo de experiência está justamente na conexão
entre turismo, território e lembranças que fazem parte da história
de muitas famílias.
“Esse
turismo trabalha a ancestralidade da pessoa. Você relembra o quintal
da sua avó, o quintal da sua mãe. É trabalhar a raiz do seu
quintal, viver uma coisa que hoje em dia está se apagando. E a gente
está cultivando isso através dessas atividades do agroturismo”,
destaca.
A
proposta é que a propriedade rural deixe de ser apenas um lugar de
produção e também se torne espaço de convivência, aprendizado e
lazer. No Sítio Casa de Elena, essa experiência pode começar pela
própria colheita.
“Se
a pessoa quiser fazer um suco, ela pode colher a fruta para fazer o
suco. Se quiser cozinhar no fogão a lenha, ela pode. Se quiser levar
uma geleia, também pode. A gente produz de forma saudável e
equilibrada para que a pessoa tenha uma vivência diferente”,
explica Helena.
Produção
artesanal e permacultura
Grande
parte do que chega à cozinha do sítio vem da própria propriedade
ou de produtores próximos. Elena explica que a prioridade é
trabalhar com ingredientes cultivados sem agrotóxicos e produzir
alimentos sem corantes, conservantes ou outros aditivos químicos.
“Tudo
que a gente faz é com o que o sítio produz, com produtos dos
quintais vizinhos que plantam também sem veneno ou, então, a gente
busca nos interiores ou com pessoas que produzem sem veneno. Essa é
uma questão principal para nós”, conta.
Essa
forma de produzir está ligada à permacultura. Na prática, envolve
o uso responsável dos recursos naturais, o cultivo diversificado, o
aproveitamento do que é produzido no próprio espaço, a redução
de desperdícios e uma relação mais equilibrada entre as pessoas e
o ambiente.
No
Sítio Casa de Elena, esses princípios aparecem no cultivo de
frutas, no aproveitamento dos alimentos produzidos no quintal, na
valorização de produtores locais e no modo artesanal de preparar os
produtos oferecidos aos visitantes.
“A
permacultura ensina que viver da natureza, viver dos frutos da terra,
é muito melhor do que viver do supermercado. A gente produz de forma
bem natural, o mais natural possível, e tenta fazer com que as
pessoas entendam e conheçam a permacultura”, afirma Helena.
Para
a empreendedora, essa característica deve ganhar ainda mais espaço
nos próximos anos, com a ampliação das experiências oferecidas no
sítio.
“Agora,
o nosso plano é transformar o sítio em referência da permacultura
em São Luís e ampliar o projeto para que possa receber mais e mais
pessoas com qualidade. A gente espera oferecer ao nosso público cada
dia uma coisa melhor, sempre ter uma novidade, um diferencial”,
projeta.
Elena Viegas recebe grupo para visita técnica ao sítio, que combina produção artesanal de alimentos, vivências no quintal e práticas ligadas à permacultura. (Sebrae/ Divulgação)
Conhecimento
que prepara o negócio para o mercado
A
construção dessa experiência também passa pela organização do
empreendimento como negócio. Elena destaca que o acompanhamento do
Sebrae contribuiu para etapas como precificação, embalagem,
apresentação dos produtos e organização comercial.
“O
Sebrae me ensinou muita coisa. Me ensinou a precificar, a deixar o
produto de uma forma que a pessoa entenda o que é, com todas as
informações necessárias. Dá informações de como apresentar,
como precificar, como embalar, como mostrar o produto, como montar
uma vitrine. Quando eu tenho alguma dúvida, estou no Sebrae, porque
ele vem dando um suporte para que você chegue onde quer chegar”,
afirma.O
acompanhamento técnico busca justamente combinar essas duas
dimensões: preservar a identidade de cada propriedade e, ao mesmo
tempo, prepará-la para receber visitantes e acessar o mercado
turístico.
No
Gapara, esse movimento já pode ser percebido entre os pés de
frutas, os produtos artesanais e o fogo aceso no fogão a lenha. O
que antes poderia ser visto apenas como um quintal produtivo passa a
ganhar outra dimensão: torna-se experiência, produto turístico e
possibilidade de geração de renda.
Procure
o Sebrae – Para mais
informações sobre as iniciativas desenvolvidas pelo Sebrae, procure
a Unidade de Negócios do Sebrae em São Luís, localizada no
Multicenter Negócios e Eventos, ou a Central de Atendimento, no 0800
570 0800 (telefone e WhatsApp). Acompanhe ainda os canais digitais do
Sebrae no Maranhão: Instagram (@sebraemaranhao) e YouTube (https://www.youtube.com/sebraemaranhao).
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