O governador Carlos Brandão (MDB) rebateu nesta terça-feira (18) as acusações feitas por Gilbson Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho. Em depoimento prestado às autoridades, Gilbson afirmou que frequentava o Palácio dos Leões para reuniões com o governador e seu sobrinho, o conselheiro Daniel Brandão.
Gilbson declarou que teria até uma vaga reservada no estacionamento da sede do governo estadual. “Eu tinha uma vaga no Palácio dos Leões. Eu chegava, entrava, a vaga número 6”, disse. Ele também alegou que teria levado valores para dentro do palácio.
Em nota publicada nas redes sociais, Brandão classificou as acusações como “infundadas” e “mentirosas”. O governador questionou a credibilidade do depoimento por ter sido prestado por um condenado confesso que, segundo ele, mudou sua versão sobre o caso.
“Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas. Por isso, afirmo categoricamente que são mentirosas. Nunca tive relação com esse assassino confesso. Nunca o recebi no Palácio, nem em qualquer lugar”, afirmou.
Sobre a suposta vaga reservada, Brandão declarou que o espaço indicado por Gilbson não poderia ter sido utilizado por ele. “A vaga 6 no estacionamento do Palácio dos Leões, que ele diz que ocupava, está há seis anos preenchida por um gerador”, argumentou o governador.
Brandão também destacou ter mais de 35 anos de vida pública sem envolvimento em escândalos ou processos e voltou a afirmar que as acusações são “falsas” e “incabíveis”. Segundo ele, sua defesa ainda não teve acesso à íntegra do processo.
O governador ressaltou ainda que, conforme parecer da Procuradoria-Geral da República, a investigação não deveria ser supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por processar governadores em crimes comuns.
“Tenho plena convicção de que a verdade prevalecerá. E estou pronto para defender minha dignidade e minha trajetória política e pessoal”, concluiu Brandão.
Terras
Segundo o depoimento de Gilbson Júnior, as reuniões iniciais com Carlos e Daniel Brandão eram para tratar da venda de terras no estado.
‘Pô, o tio disse que era pra mim (sic) resolver algumas coisas contigo aí de interesse total dele, e nosso também, porque eu tenho uma área lá nessas terras também'”, teria dito Daniel a Gilbson Júnior.
O negócio com as terras acabou não se concretizando, mas marcou o início da aproximação entre Gilbson Júnior e o grupo político de Brandão.
“Eu tinha uma vaga no Palácio dos Leões. Eu chegava, entrava, a vaga número 6, aí sempre era registrado em ata a minha visita, mas, geralmente eu falava pro Daniel, e eu entrava pela área de vivência do governador, aí subia a escada, aí tinha um salão”, disse.
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