INVENTA OUTRA : MOTIVAÇÃO DO INCÊNDIO ELEITORAL FOI A MORTE DE TILICO ???????

Presos os suspeitos do incêndio eleitoral. Os presos informaram que incendiaram o ônibus em represália a execução do comparsa conhecido pela alcunha de "Tilico".

Quem acreditar nessa história de represália pela execução de "Tilico" paga mico. Incendiar ônibus motivados pela execução de um parceiro de crime ? Só besta.

O que a população tem com a morte de "Tilico". Por que incendiar um ônibus ? Qual a relação do incêndio com a execução ? Nenhuma. Basta usar a inteligência.

A motivação do incêndio pela morte de "Tilico" lembra conversa de trancoso : "Benedito/Peixe Frito/ caiu na água deu um grito/ Acode comadre que cai dentro do pinico". Caveira quem te matou ?


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QUEM TE MATOU ?

Um homem, certo dia, saiu da cidade andando a pé, e junto a uma porteira, longe de habitações, deu com uma caveira feia como só podem ser a morte e o pecado.

Levianamente, deu-lhe um pontapé e caçoou:

- Quem te matou, caveira?

Mas qual não foi o seu espanto, quando, com um estalar dos ossos muito brancos, lavados de chuva e estorricados ao sol, a caveira respondeu:

- Foi a língua.

O pavor o sacudiu com ímpeto. Saiu por ali afora numa doida carreira, e dentro de pouco tempo estava novamente na cidade. Na sua excitação, contou a toda gente o que lhe acontecera.

- Não pode ser - diziam.

- Foi. Juro. Eu vi. Eu ouvi. Junto a uma porteira.

- Uma caveira falando? Alucinação, meu amigo.

- Verdade.

Alguns acreditavam, outros não. A maioria, não. Mas a notícia correu a cidade, cercou-a, voou até o palácio do rei.

O rei mandou chamar o moço.

- Que história é essa?

O moço contou tudo, ainda se arrepiando de se lembrar do susto.

- Ela respondeu, juro, majestade.

O rei se desencostou do trono e, com um dedo em riste, sacudindo-o diante do nariz do moço, falou:

- Vou lá ver isso. Sou curioso. Mas veja lá, se for mentira sua, e você me fizer bancar o bobo, eu te mando pendurar na primeira árvore que encontrarmos.

- Foi verdade, majestade - murmurou o moço.

Aprestara, então, um grande cortejo. Ia adiante o rei no seu cavalo branco, ricamente ajaezado, com aperos de ouro e prata. E depois, os nobres, suntuosamente vestidos. E os soldados. Tudo aquilo fulgia ao sol. Bem adiante, caminhava o moço a pé, com as mãos amarradas. Tudo estacou junto à porteira. Parecia uma festa. Os que riam e caçoavam calaram-se ao ver a caveira, tão maligna parecia. Trêmulo, o moço perguntou:

- Quem te matou, caveira?

A caveira quieta estava e quieta ficou.

O moço pensou que talvez tivesse falado muito baixo. Em voz mais alta, mas insegura, interpelou novamente:

- Quem te matou, caveira?

E a caveira, quieta.

- Quem te matou, caveira? - gritava agora, com os olhos esbugalhados, saltadas as veias do pescoço, e um pavor infinito apertando-lhe o coração.

- Quem te matou, caveira? Quem te matou, caveira?

E a caveira muito branca, luzindo ao sol, em silêncio. O moço perdeu a cabeça, começou a dar-lhe pontapés, o golpe soava cavo, e ele ia atrás dela novamente, de um para outro lado, suando, rugindo.

- Quem te matou, caveira?

Apanharam-no, veio o carrasco no seu camisolão vermelho, fez o nó corrediço com dedos ágeis, e o moço ficou enforcado numa árvore à beira do caminho, enquanto a comitiva voltava, aparatosa mas sem animação, para a cidade.

Ficou tudo em silêncio, no campo. Não passava viva alma. Decorreram as horas quentes do dia, anoiteceu. Quando se adensaram as primeiras sombras, aconteceu uma coisa extraordinária. A caveira, que não parecia dotada de movimento, rolou um pouco sobre si mesma e veio, aos pulos. Pulou até chegar sob a árvore onde estava o enforcado. E ali, com o feio buraco das órbitas vazias virado para cima, perguntou:

- Eu não te falei que quem te matou foi a língua.

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